A importância da inserção do tema cuidado paliativo na grade curricular das universidades
DOI:
https://doi.org/10.47385/cmedunifoa.634.2.2015Palavras-chave:
Cuidados paliativos, ensino, medicinaResumo
Introdução: Existe um determinado momento na evolução de uma doença que, mesmo dispondo de todos os recursos, o processo de morte se desencadeia de forma irreversível. Esse conceito refere-se ao momento em que as medidas terapêuticas não aumentam a sobrevida, mas apenas prolongam o processo lento de morrer (PIVA, 2011). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2002), “cuidado paliativo é a abordagem que aprimora a qualidade de vida, dos pacientes e familiares, diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida, através da preservação e alívio do sofrimento; requer a identificação precoce, avaliação e tratamento impecável da dor e de outros problemas de natureza física psicossocial e espiritual”. Deve ser iniciado o mais precocemente possível e incluir todas as investigações necessárias para melhor compreensão e manejo dos sintomas (SUSAKI, 2006; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001). Para o sucesso efetivo, são pontos-chave: comunicação entre o médico, o paciente e os familiares; controle diligente dos sintomas e continuidade do tratamento, facilitando a decisão terapêutica na evolução da doença (QUINTANA, 2006; STEINHAUSER, 2000). Para facilitar a integração desse tema no cotidiano médico, torna-se importante a abordagem do mesmo na grade curricular dos cursos da área de saúde. Como exemplo, podemos citar a Universidade Federal do Ceará, que criou o projeto PLUS (Projeto Integrado de Pesquisa e Extensão em perda, Luto e Separação), visando promover interação entre esse tipo de paciente e estudantes de enfermagem, medicina e psicologia (PESSINO, 2013). Objetivo: Avaliar qualitativamente o conteúdo programático do Curso de Graduação em Medicina do Centro Universitário de Volta Redonda – UniFOA, a fim de contribuir para melhorias do ensino dentro da própria instituição e servir de modelo para as demais universidades. Métodos: Foram realizadas pesquisas em artigos científicos e periódicos publicados em Scielo, PubMed, Lilacs, e revistas científicas, com as seguintes palavras-chave: paciente terminal, cuidados paliativos, terminalidade, hospices. Foi feita, também, a análise do conteúdo programático do Curso de Graduação em Medicina do Centro Universitário de Volta Redonda. Resultados: Após análise qualitativa dos dados colhidos, percebemos que o tema “cuidados paliativos” foi apenas referido no oitavo módulo, juntamente com a cadeira de oncologia e geriatria. Observa-se a presença de temas esporádicos ligados à finitude apresentados no quarto módulo, na cadeira de Bases Humanísticas. O tema esteve ausente nos demais módulos. Algumas universidades estão desenvolvendo programas a fim de orientar os acadêmicos da área de saúde em como agir perante a morte, como o projeto PLUS, criado pela Universidade Federal do Ceará. Essa aproximação dos alunos à realidade das pessoas permite que os mesmos se sintam mais preparados para lidar com essas situações, respeitando a importância da pessoa como um ser humano, e reafirmando a medicina centrada na pessoa. Conclusão: O cuidado paliativo visa diminuir as repercussões negativas da doença sobre o bem-estar do paciente e dos familiares, sem o intuito de curar. A abordagem dessa temática deve ser parte importante da formação não só do médico, mas de todos os profissionais da área de saúde, buscando prepará-los para a nova ação terapêutica, em que serão considerados os benefícios e malefícios do tratamento dos pacientes portadores de doenças terminais. Concluímos que a maneira mais eficaz é a implantação de programas e projetos nas universidades durante toda a graduação ou em maior parte dela.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Cuidados paliativos oncológicos: controle da dor. Rio de Janeiro: INCA, 2001.
PESSINO, L. et. al. Humanização da dor e sofrimento humanos no contexto hospitalar. Disponível em: <http://www.ufpel.tche.br/medicina/bioetica/Humanizacao%20da%20dor.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2013.
PIVA, P. J.; CARVALHO, P. R. A. Considerações Éticas nos Cuidados Médicos do Paciente Terminal. Disponível em: <http://www.medicinaintensiva.com.br/eutanasia1.htm>. Acesso em: 19 nov. 2011.
QUINTANA, A. M. et al. Sentimentos e percepções da equipe de saúde frente ao paciente terminal. Paidéia, v. 16, n. 35, p. 415-425, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/paideia/v16n35/v16n35a12.pdf>. Acesso em: 03 jan. 2013.
SUSAKI, T. T. et. al. Identificação das fases do processo de morrer pelos profissionais de Enfermagem. Acta Paul Enferm, v. 19, n. 2, p. 144-149, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ape/v19n2/a04v19n2.pdf>. Acesso em: 04
fev. 2013.
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