Indicações do uso de glicocorticoides na sepse grave e no choque séptico
consensos e controvérsias
DOI:
https://doi.org/10.47385/cmedunifoa.694.2.2015Palavras-chave:
Glicocorticoides, choque séptico, sepse grav, insuficiência adrenalResumo
Introdução: O choque séptico é um assunto de extrema revelevância, visto que, além de sua incidência ser alta nas Unidades de Terapia Intensia (UTI), sua taxa de mortalidade chega em torno de 50%. O uso de glicocorticoides no caso de choque séptico, apesar de mais de 5 décadas de estudos, ainda mantém-se controverso, pois não se tem estudos com altos níveis de evidência, que comprovem sua efetividade. Através de uma revisão bibliográfica de caráter quantitativo, foi feita a pesquisa com o objetivo de mostrar o uso dos glicocorticoides na sua linha do tempo, pontuar efeitos deletérios decorrentes do uso dessa terapêutica e descrever seu uso de acordo com o consenso atual. Objetivo: Estudar o mecanismo fisiopatológico da sepse grave e do choque séptico, o uso dos glicocorticóides na sepse, na linha do tempo, seus possíveis efeitos terapêuticos, seus possíveis efeitos deletérios e o consenso atual sobre o seu uso na sepse grave e no choque séptico. Metodologia: Revisão bibliográfica, de caráter quantitativo, construída a partir de artigos pesquisados na base de dados Lilacs, Scielo, Pubmed e Google acadêmico, no período de 2002 a 2014. Resultados: No âmbito da sepse grave e do choque séptico, ainda permanecem questões relativas à dose e duração ideais do tratamento, modo de retirada da droga e impacto na mortalidade a curto e médio prazo. Por isso, se fazem necessários mais estudos, melhor delineados, para comprovar se há benefício com o uso do glicocorticoide em relação à mortalidade, já que existem divergências nos estudos feitos até hoje, como também para verificar se há indicação do seu uso nos casos de sepse grave, sem choque, principalmente de origem comunitária. Além disso, através desses estudos, determinar qual glicocorticoide é melhor, em que dosagem, quando iniciá-lo, por quanto tempo mantê-lo e o modo de interrupção, abrupto ou gradual. Discussão: Em 2004, foi criado um comitê internacional, do qual, atualmente, o Brasil é participante, denominado Surviving Sepsis Campaign. Formado por 68 especialistas representando 30 organizações internacionais, sua função principal reside em fornecer diretrizes atualizadas para tratamento da sepse grave e do choque séptico. O correto a afirmar, com os estudos atualmente disponíveis, é que a indicação do uso de glicocorticoide varia de indivíduo para indivíduo, de acordo com a gravidade do quadro clínico e o risco de efeitos deletérios que a administração do corticoide proporciona. Conclusão: Apesar de alguns estudos sobre esse assunto terem sido feitos, ainda não se tem nenhum resultado concreto a respeito do uso de baixas doses de glicocorticoides no choque séptico. Sabe-se que não se deve utilizar altas doses do fármaco, pois está relacionado a um pior prognóstico. Tem se feito alguns estudos com relação a utilização de baixas doses, porém não se tem fundamentação real da redução da mortalidade, já que alguns comprovam a redução, outros concluem que não teve modificação comparado aos pacientes que não fizeram o uso dos glicocorticoides. O único guideline que coloca determinadas situações em que se deve utilizar ou não o glicocorticoide na sepse grave e no choque séptico é o Surviving Sepsis Campaign, de 2012. Portanto, é necessário um maior número de estudos referentes ao uso de baixas doses de glicocorticoide, para que seja comprovado ou não sua utilidade, na mortalidade, na quantidade de vasopressor que seria utilizada e, além disso, de como deveria ser feita essa terapêutica, com relação à dose, efeitos colaterais, tempo de duração e modo de interrupção.
Referências
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