Manifestações neuropsiquiátricas do lúpus eritematoso sistêmico
DOI:
https://doi.org/10.47385/cmedunifoa.700.2.2015Palavras-chave:
Manifestações neuropsiquiátricas, lupus eritematoso sistêmico, disfunção cognitivaResumo
Introdução: São muitas as manifestações neuropsiquiátricas do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), podendo estar relacionadas com o Sistema Nervoso Central (SNC) e com o Sistema Nervoso Periférico (SNP). As crises convulsivas e a psicose, sem outras causas, fazem parte dos critérios diagnósticos da doença, porém a disfunção cognitiva e as cefaleias são os problemas de ordem neurológica que mais afetam os pacientes com LES. As manifestações neuropsiquiátricas estão associadas à maior morbidade e mortalidade dos pacientes. Objetivo: O objetivo do presente trabalho é descrever as principais manifestações neurológicas do lúpus, para que sua identificação seja facilitada e não sejam ignoradas, quando em ocorrência na prática clínica. Metodologia: Este estudo foi construído através do levantamento de dados encontrados na literatura especializada já existente, realizado entre agosto e outubro de 2014. Foram realizadas pesquisas nas bases de dados virtuais Scielo, PubMed e Lilacs, onde foram consultados artigos originais e de revisão sobre o tema “manifestações neuropsiquiátricas do lúpus eritematoso sistêmico”. Discussão: O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune sistêmica crônica caracterizada por períodos de exacerbação e remissão, na qual autoanticorpos e imunocomplexos depositam-se em tecidos do próprio organismo, lesando-os. As manifestações neuropsiquiátricas foram listadas pelo American College of Rheumatology (1999) e incluem problemas no Sistema Nervoso Central, como convulsão, acidente vascular encefálico, psicose, cefaleia, síndrome desmielinizante, mielopatia, coreia, meningite asséptica, estado confusional agudo, desordem de ansiedade, disfunção cognitiva e distúrbio de humor e; no Sistema Nervoso Periférico, como polineuropatia, monoreuropatia simples/múltipla, Síndrome de Guillain-Barré, miastenia grave, neuropatia craniana, plexopatia e alterações autonômicas. As manifestações são secundárias a quadros hipertensivos, disfunções metabólicas e medicações utilizadas no tratamento do LES. Segundo Jennekens et al. (2002), a isquemia é um importante fator na etiologia secundário a anticorpos antifosfolipídios, aterosclerose prematura, angiopatia de pequenos vasos, trombose, embolia e vasculite. Em estudo de Cunha, Takeda e Skare (2011), com 312 pacientes diagnosticados com LES, dos quais 61 (19,55%) apresentavam acometimento neuropsiquiátrico, a frequência das manifestações foi: convulsões (45%), acidente vascular cerebral (7,79%), psicose (6,10%), polineuropatia (1,79%), neuropatia craniana (1,44%), mononeurite multiplex (1,42%), coreia (0,64%), mielite transversa (0,64%), neurite óptica (0,64%). O reconhecimento precoce desses sintomas neuropsiquiátricos é prejudicado pela dificuldade de estabelecer as causas primárias ao LES e as secundárias a complicações ou ao tratamento. A ressonância magnética é o padrão-ouro para a investigação não invasiva do lúpus, mas sua especificidade e sensibilidade ainda não são adequadas. Pode ser associada à análise do líquido cefalorraquidiano e pesquisa dos seguintes autoanticorpos: antineuronais, antigangliosideos, anticorpos de reação cruzada cerebrolinfocito, antip ribossomal e antifosfolipideos, sendo os dois últimos os principais. Conclusão: A identificação precoce do envolvimento cerebral pode evitar complicações graves e irreversíveis, melhorando a qualidade de vida e evitando a progressão da doença. O tratamento sintomático, imunossupressivo e a anticoagulação são utilizados de acordo com a necessidade individual de cada paciente.
Referências
ALMEIDA, S. et al. Manifestações Neuropsiquiátricas no Lupus Eritematoso Sistémico - A propósito de um caso clínico. Revista do Serviço de Psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca. Portugal, 2004.
CUNHA, J. P. P.; TAKEDA, S. Y.; SKARE, T. L. Estudo da prevalência de distúrbios neuropsiquiátricos em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico e sua associação clínica e perfil de autoanticorpos. Rev. Med. Res., v. 13, n. 2, p. 86-96, 2011.
JENNEKENS, F. G. et al. The central nervous system in systemic lúpus erythematosus. Part 2. Pathogenetic mechanisms of clinical syndromes: a literature investigation. Rheumatology, v. 41, n. 6, p. 619-30, 2002.
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