Relato de caso

acidente vascular encefálico

Autores

  • Fernada Brasil Centro Universitário de Volta Redonda, Volta Redonda, RJ - UniFOA.
  • José Francisco Leão Centro Universitário de Volta Redonda, Volta Redonda, RJ - UniFOA.
  • Pedro Camarinha Franco de Menezes Centro Universitário de Volta Redonda, Volta Redonda, RJ - UniFOA.
  • Roberto Barboza Gauer Centro Universitário de Volta Redonda, Volta Redonda, RJ - UniFOA.

DOI:

https://doi.org/10.47385/cmedunifoa.711.2.2015

Palavras-chave:

Acidente vascular encefálico, isquemia, tomografia computadorizada

Resumo

Introdução: O acidente vascular encefálico se caracteriza pela instalação de um déficit neurológico focal repentino e não convulsivo determinado por uma lesão cerebral secundária a um mecanismo vascular e não traumático com início abrupto que provoca danos neurológicos. A perda de tempo na abordagem desses pacientes significa uma pior evolução. Este trabalho apresenta um relato de caso assim como uma revisão bibliográfica sobre a doença. Objetivos: O objetivo deste estudo foi relatar um caso clínico de AVE e apresentar uma breve revisão da literatura. Relato de Experiência: T.N.F.S., feminino, 63 anos, deu entrada no PS da SCMBM, no dia 23/03/15, com quadro de tonteira e perda da força do lado esquerdo do corpo de início súbito. Hipertensa em tratamento com Losartana 50mg VO de 12/12 horas e AVE isquêmico há dois anos, em uso de AAS 100mg VO, no almoço e Nimodipino 30mg VO, de 8/8horas. Nega tabagismo e perda de consciência. No exame físico, apresentou-se lúcida e orientada, em bom estado geral, corada, hidratada, eupneica, acianótica, anictérica. PA: 130x70mmHg. FC:160bpm, ritmo cardíaco regular em 2 tempos, murmúrio vesicular, universalmente audível, sem ruídos adventícios. Sem desvio de comissura, pupilas foto reagentes e hemiplegia à esquerda. NIH = 8. Na madrugada do dia 25/03/15, apresentou dor precordial, com irradiação para as costas e MSE, falta de ar, sudoreica, PA: 80x40mmHg, FC 177 e Sat O2 99% . O plantonista solicitou ECG seriados que mostravam taquicardia sinusal e um deles com fibrilação atrial, gasometria arterial normal e marcadores de necrose miocárdica normais. Exames laboratoriais: Hb = 13,1; Ht = 40,2; Leuco = 9.300; Plaq = 326.000; CK-MB = 10; Troponina negativa; K=5,4; CPK = 48; Ur = 30; Cr = 0,7; Na = 139; Glicose = 113; VHS = 10; TAP = 85,4; TTPA = 37; Ecocardiograma: Fração de ejeção = 83%; Aumento de AE; Função diastólica do VE prejudicada devido à valvopatia; Dupla lesão mitral com estenose moderada e insuficiência leve. IT leve com PSAP estimada em 27 mmHg. Doppler de carótidas: Duplex scan de carótidas dentro dos limites da normalidade. A principal suspeita etiológica é a Fibrilação Atrial, que é a principal causa de AVE cardioembólico. A anamnese mostra história súbita, presença de fatores de risco e correto exame neurológico que foram essenciais para o pronto estabelecimento do diagnóstico. Para confirmação, foi solicitada tomografia computadorizada, principalmente para excluir um quadro de AVE hemorrágico, mas também outras causas, como tumores e trauma crânioencefálico. Após a estabilização clínica da paciente, foi feita a investigação etiológica através da solicitação de exames como a curva glicêmica, ECG, Ecocardiograma e o Ecodoppler de carótidas, mas além destes, também é indicado solicitar o lipidograma, o colesterol total e frações, os triglicerídeos, o Ecodoppler colorido de vertebrais, Doppler transcraniano e Angio RMN de crânio e pescoço. O tratamento envolve a remoção do trombo para que o fluxo sanguíneo seja reestabelecido e visa limitar a progressão da lesão, promover neuroproteção e prevenir a recorrência. Isso pode ser feito por meio de cateteres ou trombólise química. É ideal iniciar o tratamento em até 4 horas após o início dos sintomas, podendo assim reduzir o dano cerebral. A avaliação clínica neurológica deve ser feita por neurologista habilitado, e procurar, fundamentalmente, confirmar a suspeita, conferir os critérios para o uso de trombolítico e obter parâmetros para acompanhamento evolutivo do paciente. No caso descrito, devido à ausência de um neurologista de plantão, para uma avaliação imediata, não foi possível realizar a trombólise, ficando o tratamento restrito ao AAS e à fisioterapia. Resultados: Alta hospitalar em 07/04/15. Paciente lúcida e orientada, verbalizando, com melhora do estado geral, corada, hidratada, eupneica, acianótica, anictérica. PA: 140x90mmHg FC: 60bpm ACV: ritmo cardíaco regular em 2 tempos, AR: Murmúrio vesicular universalmente audível sem ruídos adventícios, Sat O2 98%, abdome flácido, peristalse presente, indolor à palpação, MMII sem edema e panturrilhas livres. Melhora da hemiplegia à esquerda. Conclusão: O atendimento ao paciente com AVC ainda constitui um desafio, pois o cuidado ideal com esse paciente é caro e demanda a realização de exames de alto custo para confirmação do diagnóstico, etiologia, planejamento terapêutico, podendo requerer internação em UTI, além da necessidade de equipe de reabilitação desde as fases mais precoces. O melhor tratamento é a prevenção. Detecção e controle dos fatores de risco são tarefas prioritárias, pois permitem redução da incidência e recidiva e, quanto mais rápido se dá o tratamento, menores são suas sequelas.

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Publicado

15-05-2015

Como Citar

Brasil, F., Leão, J. F., Camarinha Franco de Menezes, P., & Barboza Gauer, R. (2015). Relato de caso: acidente vascular encefálico. Congresso Médico Acadêmico UniFOA, 2. https://doi.org/10.47385/cmedunifoa.711.2.2015