Relato de caso

dissecção de aorta

Autores

  • Fernanda B. D. Paiva Centro Universitário de Volta Redonda, Volta Redonda, RJ - UniFOA.
  • Daniel Okita Centro Universitário de Volta Redonda, Volta Redonda, RJ - UniFOA.
  • Alex Leal Paixão Centro Universitário de Volta Redonda, Volta Redonda, RJ - UniFOA.

DOI:

https://doi.org/10.47385/cmedunifoa.713.2.2015

Palavras-chave:

Dissecção de aorta, dor torácica, hipertensão

Resumo

Introdução: A dissecção aguda da aorta, secundária à hipertensão arterial, constitui-se em emergência hipertensiva, caracterizada por súbita separação da camada média do vaso, rompida longitudinalmente, formando uma falsa luz, entre a íntima e a adventícia, que se comunica com a luz verdadeira. (CECIL, 2014; MARTIN at al, 2004).Os homens são acometidos duas vezes mais que as mulheres e, em 70% dos pacientes, há uma história de hipertensão (CECIL, 2014; HARRISON, 2008). Objetivos: Relatar um caso não tão frequente, como auxílio para identificar a doença e reforçar o tratamento correto. Relato de Caso: C.A.S., masculino, 54 anos, deu entrada no PS do H.M.E.H.G., em Resende-RJ, no dia 26/03, com quadro de dor na região retroesternal, tipo pleurítica, sem irradiação e sem sintomas associados. Paciente hipertenso e tabagista de longa data. Na admissão, apresentava-se corado, hidratado, eupneico, acianótico, anictérico, PA:160x70mmHg, HGT: 110 mg/dL, FC: 46 bpm, ritmo cardíaco regular com extra-sístoles, à ausculta pulmonar, murmúrio vesicular audível sem ruídos adventícios, abdome globoso, flácido, peristalse presente, indolor à palpação, sem visceromegalias, pulsos periféricos presentes, membros inferiores sem edema e panturrilhas livres. Foi solicitado ECG sem alterações agudas e enzimas cardíacas normais. Frente a esse quadro, solicitou-se uma TC de Tórax, que sugeriu a realização de uma angio TC de tórax por suspeita de dissecção de aorta, que foi confirmada. Discussão: Neste relato é apresentado o caso de um paciente admitido no serviço de emergência, com quadro de precordialgia que piora ao respirar fundo. A dor torácica é uma das causas mais comuns de procura à assistência médica nas salas de emergência (BASSAM et al., 2002). A dissecção aórtica aguda se apresenta com o súbito aparecimento de dor, intensa, dilacerante. Os achados físicos podem incluir hipertensão ou hipotensão, pulsos impalpáveis, principalmente quando há o envolvimento das artérias subclávias, carótidas e femorais. (HARRISON, 2008). Quando uma dissecção estende-se para dentro da aorta abdominal pode haver o comprometimento do fluxo para a artéria mesentérica. A isquemia ou um infarto mesentérico franco pode se apresentar como dor abdominal. (CECIL, 2014). Apesar de o paciente relatado ter comprometimento da artéria mesentérica e femoral, não apresentava dor abdominal e nem ausência de pulsos nos membros inferiores. É essencial confirmar com estudos de imagens. A ETE é a modalidade mais rápida, mas se a ETE não estiver prontamente disponível, a TC com contraste é o exame preferido. O objetivo do tratamento clínico inicial é evitar sua progressão e ruptura. O uso de betabloqueadores (labetolol, propranolol) e de um vasodilatador (nitroprussiato de sódio) é a terapia medicamentosa de escolha. (CECIL, 2014). Quando envolve somente a aorta descendente (tipo B), semelhante ao caso, o tratamento tradicional desse tipo de dissecção é clínico, ficando o tratamento cirúrgico restrito aos casos que apresentam complicações na sua evolução (FONSECA et al., 1998). Conclusão: A dissecção aórtica aguda é uma emergência médica, portanto é essencial uma intervenção rápida e correta, sendo necessários a internação em unidades de terapia intensiva e o controle rigoroso dos sinais vitais. Os medicamentos devem ser continuados indefinidamente, de forma a reduzirem a incidência de complicações tardias.

Referências

BASSAM, R. et al. I Diretriz de Dor Torácica na Sala de Emergência. Arq. Bras. Cardiol, São Paulo, v. 79, s. 2, Aug. 2002.

FONSECA, J. H. P. et al, Utilização de Endoprótese Auto-Expansível (Stent) Introduzida através da Artéria Femoral para Tratamento de Dissecção da Aorta Descendente. Arq Bras Cardiol, v. 70, n. 6, p. 389-392, 1998.

GOLDMAN, L.; CECIL; A. D. Tratado de medicina interna. 24. ed. Rio de Janeiro; Elsevier, 2014.

HARRISON T. R. Harrison: medicina interna. 17. ed. São Paulo: Ed. McGraw-Hill, 2008.

MARTIN, J.F.V. et al. Infarto agudo do miocárdio e dissecção aguda de aorta: um importante diagnóstico diferencial. Rev Bras Cir Cardiovasc, v. 19, n. 4, p. 386-390, 2004.

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Publicado

15-05-2015

Como Citar

B. D. Paiva, F., Okita, D., & Leal Paixão, A. (2015). Relato de caso: dissecção de aorta. Congresso Médico Acadêmico UniFOA, 2. https://doi.org/10.47385/cmedunifoa.713.2.2015